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Em entrevista ao DC, presidente da Juriti Microfinanças anuncia futuras parcerias com bancos

Diether Werninghaus fala ao Diário Catarinense do sucesso com capital privado, a partir de SJP, que gerou a atenção de grandes nomes do sistema financeiro

01/03/2010 07:03


Diether Werninghaus fala ao Diário Catarinense do sucesso com capital privado, a partir de SJP, que gerou a atenção de grandes nomes do sistema financeiro

O presidente da Juriti Microfinanças, Diether Werminghaus, em entrevista ao jornal Diário Catarinense (DC), fala sobre o sucesso da organização a partir da sede operacional em São José dos Pinhais e os contatos com bancos para disposição de mais recursos para o microcrédito. Recentemente, por meio do Badesc, a Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina S.A, houve a aplicação nas unidades catarinenses da Juriti de R$ 2 milhões. A partir de São José dos Pinhais, em 17 meses a organização investiu mais de R$ 5 milhões com recursos próprios do empresário e abertura de 13 unidades nos três estados do Sul. A inspiração, o trabalho do professor de economia, Muhammad Yunus, ganhador do Nobel da Paz de 2006, com a criação do Grameen Bank, primeiro banco na história do mundo a investir no microcrédito.


Uma força aos pequenos negócios, por Estela Beneti - Editoria Informe Econômico
O empresário Diether Werninghaus, filho mais velho de Geraldo Werninghaus, um dos três fundadores do admirado grupo Weg, de Jaraguá do Sul, decidiu usar parte da sua renda pessoal para investir na Juriti Microfinanças, uma das primeiras instituições privadas de microcrédito produtivo e orientado do país. Fundada há 17 meses, a organização tem 13 agências nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, e 1,6 mil clientes ativos, sendo 70% informais. Já tem quase R$ 10 milhões aplicados e, neste fim de semana realiza sua primeira convenção geral em Jaraguá.

Werninghaus conheceu o microcrédito em conversas com amigos, se apaixonou pelo modelo fundado pelo economista de Bangladesh Muhammad Yunus e decidiu investir na área. A exemplo do seu pai, que ingressou na política com o objetivo de colaborar para melhorar a vida do país, acredita que financiando pequenos negócios formais e informais dará um impulso expressivo para o desenvolvimento do Brasil.

Por que a decisão de investir no microcrédito produtivo?
Diether Werninghaus – Conheci o microcrédito por meio dos meus sócios, João Krein e Mário Livramento. É uma coisa inovadora, o capital privado participa ativamente desse processo. Além do que, o enfoque social é altamente positivo. Meu pai achava que atuando na área política, iria influenciar em alguma coisa para melhorar o país, e realmente influenciou. Foi vereador, deputado estadual e prefeito de Jaraguá. E quando eu conheci o microcrédito, achei que também poderia fazer a diferença atuando mais diretamente na área de empreendedorismo. Saí da retórica para a prática.

Qual foi o capital inicial e quanto está aplicado hoje?
Werninghaus – A Juriti começou com capital inicial de R$ 1 milhão e foi crescendo. Já emprestamos perto de R$ 8 milhões e os valores dos créditos a receber são de R$ 9,94 milhões. Usamos a mesma metodologia do microcrédito produtivo e orientado fundado por Muhammad Yunus, adotado pelas demais 19 organizações de microcrédito do Estado como a Casa do Empreendedor, de Joinville, e o Blusol, de Blumenau.

Onde a Juriti atua e quais são as metas de expansão?
Werninghaus – Atuamos nos três estados do Sul, com 13 agências, sendo que duas delas estão sendo abertas agora, em Rio do Sul e em Canoas. Nossa intenção é consolidar presença no Sul.

Quantos clientes são informais?
Werninghaus – Temos por volta de 1,6 mil clientes ativos. Desses, cerca de 70% são informais e 30%, formais. Cobramos juros de mercado para o segmento, menos de 4% ao mês. O nosso leque de clientes é muito grande, vai desde sorveteiro e pipoqueiro até o empresário que tem padaria e mercearia. Temos muitas clientes que compram máquinas para fazer facção. Hoje, cerca de 45% das nossas operações de crédito são para mulheres. Em média, o valor emprestado é de R$ 4 mil. O mínimo que financiamos é R$ 500 e o máximo, R$ 10 mil.

A maioria dos empreendedores já conhece o microcrédito?
Werninghaus – Dos três estados, sem dúvida, Santa Catarina tem mais a cultura do microcrédito. Temos aqui 19 instituições que já praticam isso, mas é um mercado tão grande que cabe muita gente ainda. Para difundir o sistema fizemos uma caravana no Paraná. O empreendedor não sabe que é empreendedor, ele acha que é um sobrevivente da vida. Nós temos a figura do agente de crédito para orientar os empreendedores. Ele tem o primeiro contato com o cliente e faz a análise sócio-econômica.

Quanto a Juriti deve emprestar este ano?
Werninghaus – Planejamos emprestar R$ 1,2 milhão por mês este ano, mas podemos aumentar para R$ 1,7 milhão. Vamos emprestar os recursos devolvidos pelos clientes e incluir dinheiro novo. Temos um contrato com o Badesc pelo qual estamos usando linha de R$ 2 milhões. Também estamos fazendo contatos com a Caixa Econômica Federal e bancos privados para conseguir mais empréstimo e aumentar a oferta de crédito.


Diether Werninghaus
É engenheiro mecânico formado pela UFSC com especialização em Administração de Empresas pela Esag/Udesc. Começou a carreira fora do grupo empresarial da sua família, a Weg. O primeiro emprego foi em empresa de ferramentas de precisão, em Curitiba. Também atuou na gestão de outros negócios familiares e foi membro do conselho de administração do grupo Weg.

Em 2007 abriu mão de ser conselheiro e, em setembro de 2008, abriu a Juriti Microfinanças com os sócios João Krein e Mário Livramento. Diether Werninghaus, 53 anos, é casado, tem uma filha e dois netos.


Agências
O foco da Juriti Microfinanças é atuar com microcrédito na Região Sul. A sede operacional da instituição é em São José dos Pinhais, no Paraná, e a matriz fica em Jaraguá do Sul.

Em Santa Catarina, as filiais estão em Ibirama e Rio do Sul. No Rio Grande do Sul, a Juriti tem presença maior, com sete agências. Está em Porto Alegre, Pelotas, Canoas e Bento Gonçalves, e tem parcerias com a Instituição Comunitária de Crédito nas cidades de Santa Maria, Caxias do Sul e Frederico Westphalen. No Paraná, tem filiais em Ponta Grossa, junto à Sodetec, e em Curitiba.


Yunus
Embora tenha adotado o modelo de microfinanças do economista de Bangladesh, Muhammad Yunus, o empresário Diether Werninghaus ainda não teve oportunidade de encontrá-lo. Disse que estava viajando quando o bengalês esteve em Santa Catarina, há cerca de dois anos, mas pretende conversar com ele na próxima oportunidade.

Na última vez que ele esteve no Brasil, deixou claro que o governo não deveria interferir no microcrédito, "o que nos deu energia para continuar o nosso trabalho", comentou.


Informais
Diante das facilidades para formalizar pequenos negócios com a nova lei do Empreendedor Individual, a Juriti está orientando seus clientes informais a registrar suas empresas. E como tem foco no investimento, também vem firmando acordos com lojas que vendem máquinas e equipamentos para financiar os investimentos. Isto porque a maioria não é cliente de banco.

Cerca de 45% das nossas operações de crédito são para mulheres. Em média, o valor emprestado é de R$ 4 mil.
O mínimo que financiamos é R$ 500 e o máximo, R$ 100 mil.

[PautaSJP.com e publicação da entrevista do jornal Diário Catarinense]


Entrevista veiculada no jornal Diário Catarinense (DC) de 28/02/10



O empresário Diether Werninghaus, filho mais velho de Geraldo Werninghaus, um dos três fundadores do grupo Weg Eletromotores, de Jaraguá do Sul [Foto DC]






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Marcos Rosa Filho Jornalista Mtb3860/15/50 São José dos Pinhais/PR. Direitos reservados.
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